Depois de um ano e meio de restrições, a China anunciou o fim do embargo à importação de carne de frango produzida no Rio Grande do Sul. A decisão foi comunicada pelas autoridades chinesas na última semana e confirmada ontem terça-feira (20) pelo Ministério da Agricultura brasileiro e por entidades do setor.
A suspensão da compra do produto havia sido imposta pelos chineses após a confirmação de um surto da Doença de Newcastle no estado em julho de 2024. A liberação é muito importante para o Vale do Caí, que tem na avicultura uma de suas principais atividades econômicas, incluindo um grande número de aviários e de frigoríficos. A China é um dos principais mercados. Em maio do ano passado o Estado já enfrentou restrições nas exportações devido ao foco de gripe aviária encontrado em Montenegro. Um mês depois, o país foi confirmado livre da gripe aviária, após 28 dias sem registros.
A retomada das importações pelos chineses foi oficializada em comunicado conjunto da Administração-Geral das Alfândegas da China e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais do país asiático, que revogou um ato anterior baseado em análise de risco sanitário. O embargo havia sido imposto após a detecção do Newscastle em uma granja comercial no município de Anta Gorda (RS). Na época, o estado fico em emergência zoosanitária por cerca de três semanas.
Impacto econômico
A ausência do mercado chinês afetou diretamente o desempenho das exportações gaúchas. Em 2024, o bloqueio contribuiu para a queda de cerca de 1% nas exportações de carne de frango do estado. Até antes do embargo, a China respondia por quase 6% dos embarques de frango do Rio Grande do Sul, com a restrição sendo parcialmente compensada pela venda a outros países.
Segundo o Ministério da Agricultura, a retomada das exportações foi possível após a comprovação das medidas de controle e erradicação da doença, em conformidade com os protocolos internacionais de saúde animal.
Retomada estratégica
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) avaliou que a reabertura do mercado chinês representa um passo relevante para a normalização dos fluxos comerciais.
“A decisão reafirma a credibilidade do sistema sanitário brasileiro e o reconhecimento internacional do nosso modelo de resposta”, destacou a entidade, em nota.
Segundo a ABPA, as negociações envolveram diálogo permanente com as autoridades chinesas. Nesse período, as entidades e o governo brasileiro enviaram informações detalhadas que comprovassem as ações de controle e erradicação e o alinhamento aos protocolos internacionais de saúde animal.
Entidades do setor destacam que a expectativa agora é de retomada gradual dos embarques, à medida que sistemas de habilitação sejam atualizados e os certificados sanitários liberados. A China é um dos principais destinos do frango brasileiro e considerada estratégica para o equilíbrio do comércio internacional da proteína animal.
Fonte e foto: Agência Brasil