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Pesquisa busca saber como São Sebastião do Caí se reconstrói após a enchente

Moradores dos bairros Navegantes, Centro, Quilombo e Vila Rica, em São Sebastião do Caí, estarão participando de um importante estudo que visa contribuir para o desenvolvimento de estratégias mais eficazes para fortalecer a prevenção, a resposta e a recuperação da população diante das enchentes. Está sendo realizado um estudo sobre como a comunidade enfrenta e se recupera das enchentes.

A pesquisa, intitulada “Capital social e resiliência nas enchentes”, busca entender como cooperação, confiança e redes de apoio ajudam a população a lidar com momentos de crise. Trata-se de uma parceria internacional para mapear a força dos laços sociais na reconstrução de comunidades. A partir desta semana estarão sendo visitadas residências nesses bairros e os moradores poderão colaborar respondendo a um rápido questionário.

Diante do cenário de mudanças climáticas e eventos extremos que têm desafiado o Rio Grande do Sul e o mundo, uma pergunta se torna vital: por que, diante da mesma tragédia, algumas comunidades conseguem se reerguer mais rapidamente do que outras? Para responder a isso, um grupo internacional de especialistas está conduzindo um estudo inovador que investiga o "capital social" — a confiança e as redes de apoio — como a peça-chave para a resiliência urbana.

A iniciativa reúne nomes de peso da pesquisa global e local: o professor Daniel Aldrich, da Northeastern University (Estados Unidos), referência mundial em resiliência pós-desastres; Jaideep Visave, pesquisador do Instituto Universitário Superior de Pavia (Itália); a professora Janaina Macke, do Programa de Pós-graduação em Administração da Universidade de Caxias do Sul (PPGA/UCS); e o mestrando Lucas de Oliveira Eckhardt, também do PPGA/UCS e que é de São Sebastião do Caí.

Segundo Janaina, a ideia do projeto surgiu da necessidade de olhar para além das soluções de engenharia. Embora diques e bombas sejam fundamentais, é o "tecido social" que determina a velocidade da recuperação. Ao unir a expertise de pesquisadores dos EUA, da Itália e do Brasil, o estudo permite comparar como moradores de áreas vulneráveis utilizam seus laços para enfrentar as águas em dois contextos distintos: uma área costeira em Mumbai, na Índia, e uma área ribeirinha no Brasil, especificamente em São Sebastião do Caí. “O objetivo central é elucidar como o capital social molda a resiliência. Queremos descobrir como a confiança nos vizinhos, a participação em grupos locais e o acesso a instituições públicas influenciam a adoção de estratégias de enfrentamento. É o que chamamos de cola social: o elemento que une a capacidade de ação individual ao resultado coletivo de uma cidade que não apenas sobrevive, mas também se adapta e se fortalece”, ressalta a professora.

Atualmente, a equipe está na fase mais intensa do trabalho: a coleta de dados. Os pesquisadores e assistentes estão em campo aplicando questionários estruturados (surveys) aos residentes. Esse processo segue em ritmo acelerado, e a previsão é de que a coleta seja concluída em maio.  Após essa etapa, os dados passarão por um rigoroso processamento. Segundo a equipe do PPGA/UCS, serão utilizadas técnicas estatísticas refinadas, como a Análise de Redes Sociais (SNA) e algoritmos de agrupamento, para identificar perfis de resiliência e entender quais tipos de conexões são mais eficazes em momentos de crise.

A expectativa é que os resultados tragam respostas práticas para gestores públicos e para a própria comunidade. A divulgação oficial está prevista para o segundo semestre de 2026. O grande palco para esse lançamento será a terceira edição do "Congresso Brasileiro de Gestão e Inovação (CBGI)", que acontecerá na UCS em setembro.

Além do congresso, os dados serão amplamente compartilhados por meio das plataformas do Programa de Pós-Graduação em Administração (PPGA/UCS) e, de forma direta, junto às entidades e grupos de São Sebastião do Caí que apoiam o projeto. Com essa união entre a ciência internacional e o engajamento local, o projeto espera oferecer um roteiro para políticas públicas mais humanas e resilientes.

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