Santa Catarina tem investido em tecnologia para combater o granizo, que tem causado grandes prejuízos para a agricultura. Nesta semana, na quarta e quinta-feira, uma comitiva de lideranças do Rio Grande do Sul, incluindo os prefeitos de Feliz, Júnior Freiberger; de Alto Feliz, Robes Schneider; e de Vale Real, Marcelo Bettega, esteve em cidades catarinenses para conhecer o sistema antigranizo. Eles visitaram municípios como de Fraiburgo, Videira e Caçador para analisar a viabilidade de implantar a tecnologia no Vale do Caí. No final de novembro do ano passado um temporal com granizo causou grandes perdas nas plantações da região, principalmente nos parreirais de uva, além de pêssego e outras culturas. O mesmo aconteceu em Santa Catarina. Atualmente 13 municípios catarinenses possuem o sistema antigranizo e neste ano mais doze devem implantar.
Conforme Junior Freiberger, a visita teve como objetivo conhecer de perto o funcionamento do sistema, entender a tecnologia aplicada, o modelo financeiro e toda a estrutura burocrática e legal que a viabiliza. Atualmente, o sistema conta com 170 geradores, responsáveis pela cobertura da região. Eles operam a partir de um monitoramento meteorológico altamente eficiente, identificando o momento exato da formação de nuvens de granizo. Quando isso ocorre, os geradores liberam iodeto de prata (composto químico de alto valor) na atmosfera, criando uma proteção preventiva. Trata-se de uma tecnologia de origem francesa, mais moderna e menos agressiva ao meio ambiente, substituindo métodos antigos como os foguetes — que, além de menos eficientes, geravam riscos à aviação.
Durante a visita, os prefeitos também estiveram na Fischer, empresa do agronegócio que iniciou o uso do sistema, o que nos permitiu compreender tanto a visão de quem oferece quanto de quem utiliza a tecnologia. “Embora não exista um método com 100% de garantia, o sistema apresenta um percentual significativo de sucesso, beneficiando não apenas os agricultores, mas toda a população — reduzindo prejuízos em lavouras, veículos e residências”, ressalta Júnior.
A excursão reuniu 22 municípios do Rio Grande do Sul, fortalecendo o diálogo entre prefeituras, iniciativa privada e governo estadual sobre a implantação do sistema. “Seguimos buscando conhecimento, soluções e parcerias que tragam mais segurança e desenvolvimento para nossas comunidades”, destacam os prefeitos.
Governo pode implantar tecnologia
A Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi) liderou a missão técnica a Santa Catarina com o objetivo de conhecer o sistema antigranizo instalado no Estado, cujo intuito é proteger a fruticultura. O Governo do Rio Grande do Sul estuda a possibilidade de implantar o sistema na Serra, principalmente para proteção da vitivinicultura.
O secretário-adjunto da Agricultura, Márcio Madalena, liderou a comitiva com a equipe técnica da pasta. O grupo contou com a representação de 22 municípios da Serra e do Vale do Caí, além de integrantes da Defesa Civil do Estado e de Sindicatos Rurais e de Seguradoras.
Madalena destacou que, a partir da demanda do setor vitivinícola da Serra pela implementação de um sistema antigranizo no Rio Grande do Sul, a Seapi decidiu estudar o caso. “O granizo causa muito prejuízo ao setor produtivo e à sociedade como um todo. Em Santa Catarina pudemos realizar uma imersão e conhecer, com profundidade técnica, como funciona o sistema”, disse.
O secretário-adjunto ainda ressaltou a possibilidade de avançar nas discussões de modelos de implementação do projeto, tanto com a realização de convênios quanto em parcerias com o setor privado. “Foi uma missão exitosa, estamos voltando com muita maturidade para discutir a implementação dessa tecnologia”, afirmou.
Uma das alternativas em estudo é a implantação do sistema por meio de recursos do Fundo de Desenvolvimento da Vitivinicultura. Presente no encontro, Luciano Rebellatto, presidente do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis) – entidade que possui termo de colaboração para viabilizar ações de fomento por meio do fundo – ressaltou a relevância do projeto para o setor.
“Trata-se de um investimento estratégico para a vitivinicultura, pois contribui diretamente para a segurança econômica dos produtores, reduz as perdas provocadas por eventos climáticos extremos e fortalece a permanência dos viticultores na atividade. Além disso, o projeto beneficia a indústria, ao proporcionar maior previsibilidade quanto ao volume de produção, favorecendo o planejamento, a competitividade e a sustentabilidade de toda a cadeia produtiva”, avaliou Rebellatto.
Visitas técnicas
A comitiva conheceu, em Fraiburgo, o funcionamento do gerador de solo com queima de iodeto de prata, que diminui o tamanho das pedras de gelo a partir da emissão do produto para a atmosfera. O grupo foi recebido pelos representantes de uma empresa da região, que opera os geradores e o monitoramento climático em Santa Catarina. Atualmente são 170 geradores de iodeto espalhados no Estado.
Outra agenda foi aprender sobre o trabalho de uma empresa que atua na produção de maçã, e que utiliza o sistema antigranizo como forma de proteção das plantas.
O roteiro também englobou a visita, no município de Videira, na Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de SC (Epagri), onde a comitiva conheceu as estações de pesquisa em vitivinicultura. As agendas terminaram na Prefeitura de Caçador, quando a comitiva conheceu a parte administrativa, jurídica e econômica do projeto de antigranizo que funciona na cidade.
Foto: Cassiane Osório/Ascom Seapi